quinta-feira, 3 de novembro de 2022

AUTISMO

HISTÓRIA DO AUTISMO

Ao que tudo indica, uma das primeiras e mais importantes menções as características do autismo teria vindo dos estudos do psiquiatra austríaco, Leo Kanner, quando este observava crianças exibindo comportamentos atípicos com relação à necessidade, capacidade e procura por relações sociais comuns.

Em seus estudos, realizados no ano de 1943, Kanner apontaria também para as respostas incomuns dadas pelas crianças ao ambiente, dessa forma, cunhando o nome “distúrbio autístico do contato afetivo” como sendo a origem das dificuldades apresentadas.

Durante os anos 50 e 60 do mesmo século, novas pesquisas seriam feitas com base nas descobertas de Kanner, no entanto, aparentando terem trazido ainda mais dúvidas e confusão para algo que naquela altura ainda pouco se conhecia.

Como exemplo, alguns pesquisadores chegaram a constatar que o comportamento autista seria originado por relações pobres entre pais e filhos, na medida em que pais e mães ao tratar seus descendentes de maneira pouco emocionalmente afetiva, seriam responsáveis por sua causa.

No início dos anos 60, no entanto, com novos estudos sendo realizados, constatou-se pelo número de evidências surgidas ao redor do mundo todo que o autismo seria um transtorno cerebral presente desde a infância de seus acometidos, não escolhendo lugar e nem situação socioeconômica para acontecer ou se manifestar.

Um símbolo desse período seria Temple Grandin, a americana que revolucionou a indústria pecuária norte americana ao inventar, tendo como base suas dificuldades por ser autista, um sistema que facilitava o abate e também o cuidado de animais da área.

Grandin da palestras falando sobre sua experiência até hoje, e fala sempre como é importante ajudar as pessoas autistas a desenvolverem suas potencialidades.

Um momento importante para a história do autismo se deu sob os estudos de Michael Rutter (1978), um psicólogo de origem britânica, que constataria em quatro critérios as bases do autismo.

Atrasos cognitivos e desvio sociais (não só como função de retardo mental); problemas de comunicação, novamente, não só em função de retardo mental associado; comportamentos incomuns, tais como movimentos estereotipados e compulsivos; e início do quadro anteriormente aos 30 meses de idade.

A definição de Rutter e o crescente corpo de trabalhos sobre o autismo influenciariam a definição desta condição no DSM-III, em 1980, quando o autismo pela primeira vez seria reconhecido e colocado em uma nova classe de transtornos, a saber: os transtornos invasivos do desenvolvimento (TIDs) (Klin, 2006).

Outro fator importante da história do autismo se deu sob as constatações da psiquiatra inglesa, Lorna Wing, que já na década de 1970, teria apontado o autismo como um espectro de condições, que deveria ser analisado sob níveis diferentes, dado que cada indivíduo apresentaria dificuldades específicas.

Como pesquisadora e clínica, bem como mãe de uma criança com autismo, ela sempre defendeu uma melhor compreensão e serviços para pessoas com autismo e suas famílias. Fundou a National Autistic Society – NAS, juntamente com Judith Gold, e o Centro Lorna Wing.

Alguns anos depois, já no século XXI, em 2007, seria proclamado pela ONU o dia mundial de conscientização sobre o autismo.

Com o objetivo de espalhar o conhecimento, o dia seria mais uma forma de criar espaços para o diálogo entre familiares, profissionais da saúde mental e os próprios indivíduos com autismo, para se pensar mais sobre ele e sobre todas as questões que o envolvem de maneira produtiva e amparadora.

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